O jazz sempre foi um ritmo musical rebuscado, capaz de influenciar outros estilos musicais. No entanto, este ritmo americano ganhou uma nova vertente quando foi executado pelas mãos de um violonista cigano nascido na Bélgica. Conheça um pouco mais da história de Django Reinhardt.

O início da carreira

Nascido em 23 de janeiro de 1919, na Bélgica, Jean Baptiste “Django” Reinhardt era mais uma criança cigana. Seus pais moravam em acampamentos, viajando sempre entre a Bélgica e a França, o que fez com que a infância de Django fosse passada sob a influência de muitas culturas, fato este que influenciou sua vocação pela música.

Aos 13 anos, Django tocava banjo no Bal-Musette, um dos mais importantes pontos de encontros da cidade de Paris na década de 1920. Seu estilo musical era o europeu, com fortes influências da música espanhola. Cigano que era, Django conhecia e executava muito bem o ritmo flamenco. Mas, tudo mudaria aos 15 anos quando se encantou pelo jazz, estilo que assumiu, desde então.

Vale ressaltar que este então adolescente não havia recebido nenhum tipo de educação musical formal, tudo o que Django aprendera foi por convivência com outros músicos e, principalmente, através de muita prática com o seu instrumento.

A tragédia

Porém, aos 18 anos de idade, a vida do jovem violonista mudou drasticamente. Durante um incêndio acidental, provocado por ele mesmo em seu vagão na caravana, Django sofreu várias queimaduras graves. Dentre as partes de seu corpo que foram afetadas estavam os dedos anelar e mínimo da mão esquerda, que ficaram deformados e completamente imóveis.

No entanto, o fato que seria desgraça para qualquer violonista, deu a Django o adjetivo único de “lenda”, já que sem utilizar os dois dedos queimados para solar ele desenvolveu novas técnicas e um estilo único para tocar seu violão com apenas seus dois outros dedos da mão esquerda.

Seu ressurgimento particular como músico, após a tragédia, já lhe daria inúmeros méritos. Contudo, o jovem violonista cigano não seria conhecido somente por este detalhe.

Quintette du Hot Club de France

Stephane Grappelli, um dos melhores violinistas do século XX, formou com Django uma das mais importantes parcerias da música europeia. Desta maneira, em 1934 surgia o Quintette du Hot Club de France, um dos mais influentes grupos de jazz instrumental do mundo, com gravações fonográficas, que era raridade na época.

O Quinteto era formado inicialmente por Django (violão), Grappelli (violino), Joseph Reinhardt, irmão de Django (violão), Roger Chaput (violão) e Louis Vola (contrabaixo). Um grupo de instrumentos de cordas unido para executar jazz, algo que não era comum na época, mas que até hoje possui adeptos por todo o mundo.

O jazz manouche

Esta nova linguagem do jazz, sem a presença dos característicos metais e da percussão recebeu o nome de Gypsy Jazz ou Jazz Manouche que, traduzido, significa “Jazz cigano”. No entanto, a diferença do jazz tradicional para o cigano não está só na escolha dos instrumentos utilizados. O manouche aproveitou-se, quanto à execução sonora, do swing e da improvisação jazzística para, com esta base própria do estilo americano, utilizar como grande variação o fraseado cigano e todo o virtuosismo da música flamenca, adaptando ou criando um novo estilo capaz de deixar boquiaberto Duke Ellington, um dos grandes nomes do jazz americano.

Quanto aos instrumentos utilizados, como violão, violino, acordeom, precisamos lembrar que, sendo nômades, os ciganos tivessem mais apreço a estes instrumentos que são portáteis e fáceis de transportar, não tendo a necessidade de desmontá-los após o uso. Isso mostra quão adequado o manouche é com relação a sua cultura de origem.

Além destas importantes variações – instrumentais e rítmicas – presentes no manouche, o conceito de guitarrista solo (ou principal) e guitarrista de base foi implementado por Django em seu Quinteto. Este conceito é aproveitado até hoje e não apenas pelos músicos de jazz.

Os violões de base marcavam o ritmo da música através da execução ordenada de acordes, deixando toda a parte do solo para o violonista principal, que devia apresentar todo o seu virtuosismo, expressão e criatividade através dos solos e improvisações, próprios do jazz.

Os violões de base também poderiam aparecer na canção sendo utilizados como percussão, quando não haviam instrumentos de percussão na sessão de jazz. Esta era uma variável muito utilizada pelos instrumentistas dos grupos de jazz cigano.

Falecimento

Após fazer turnês pelos Estados Unidos e Europa e gravar vários discos, Django, o já consagrado violonista de jazz faleceu aos 43 anos de idade, em 1953, na França, vítima de uma hemorragia cerebral que decretou o seu fim.

No entanto, seu legado continua. Atualmente, existem praticantes do gypsy jazz em todo o mundo. Os grupos deste estilos são denominados “Hot Clubs” em referência e homenagem aos músicos do melhor e mais importante quinteto de jazz manouche do mundo.

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